Hormônios, óleos essenciais e as emoções: o potencial da psicoaromaterapia

Conteúdos do Post

Medo, raiva, melancolia, alegria, gratidão, prazer…Cada sentimento tem uma marca registrada no nosso corpo. Respondemos quimicamente a cada emoção, sentimento e pensamento a todo momento. 

O estresse por exemplo, pode gerar excesso de cortisol no organismo, que por sua vez, é responsável pelo aumento de processos inflamatórios. Consequentemente haverá mais dores no corpo, perda de saúde, baixa resistência e imunidade, enfim, uma cadeia de efeitos colaterais que resultam em doença e baixa qualidade de vida. 

Os hormônios e os neurotransmissores influenciam nossa sensação de bem-estar. Da mesma forma o nosso estilo de vida consegue afetar a função dos hormônios em nosso organismo. A neurociência demonstra que grande parte do nosso comportamento é moldada por nossos hormônios.

Hormônios, óleos essenciais e as emoções: o potencial da psicoaromaterapia .
Autoria: Arquitetura da Alma.

OS HORMÔNIOS E O SISTEMA ENDÓCRINO

Os hormônios transportam mensagens essenciais e por isso são chamados mensageiros químicos do corpo. Eles controlam processos que vão desde a aquisição de energia em uma única célula até a taxa de crescimento de todo o corpo. (ABRIL, 2008)

O sistema endócrino é constituído de corpos celulares de tecido glandular e também de glândulas internas em órgãos. Este sistema usa os hormônios transportados pelo sangue, para controlar e coordenar as funções corporais. Como são transportados pelo sangue, os hormônios chegam em todas as células do corpo. (ABRIL, 2008)

A maior parte dos hormônios são produzidos nas glândulas endócrinas. Na relação abaixo estão listadas algumas glândulas, sua localização aproximada e alguns hormônios produzidos: 

Pineal  – localizada na parte média do encéfalo, produz melatonina, um hormônio importante nos ritmos corpóreos.

Pituitária/hipófise – localizada na base do cérebro – é considerada uma glândula mestra que controla outras glândulas endócrinas.

Adrenais – localizadas acima dos rins – produzem hormônios corticais como o cortisol, a adrenalina e noradrenalina.

Tireóide e paratireóides – localizada na base do pescoço – controla as taxas de metabolismo, uso de energia e taxa cardíaca.  

Timo – localizado no centro do peito – produzidos hormônios envolvidos no desenvolvimento de glóbulos brancos do sangue (células T).

Pâncreas – localizado atrás do estômago – são produzidos os hormônios insulina e glucagon 

Gônadas ovário e testículos – são produzidos os hormônios sexuais femininos (estrogênio e progesterona) e masculinos (testosterona).

O corpo humano produz centenas de substâncias químicas, das quais grande parte ainda não foi identificada. Como exemplo, algumas substancias produzidas pelo corpo são associadas aos estados de humor e às emoções. (AMHB, 2020)

A dopamina é um hormônio da felicidade que ativa o mecanismo de recompensa do cérebro e também motiva a busca pelo prazer.

A serotonina é um neurotransmissor que melhora o humor.

Produzido pelo hipotálamo a endorfina é um dos hormônios da felicidade mais conhecido. Sendo que o organismo fabrica endorfinas quando praticamos atividades físicas de alto impacto, durante as relações sexuais e orgasmo.

Conhecida como “hormônio do amor” a ocitocina é um neurotransmissor e um hormônio que é associado a sentimentos de satisfação em mulheres.

O cortisol, também chamado de “hormônio do despertar” é produzido no córtex das glândulas suprarrenais. Ele nos faz acordar todas as manhãs. Também é considerado o “hormônio do estresse” já que tem a função básica de preparar o corpo para situações de estresse e nos ajudar a enfrentá-las. Não deixa a glicose baixar, fornecendo mais energia aos músculos e sistema nervoso. O Cortisol foi muito importante para a nossa sobrevivência ao longo da evolução humana, porque nos mantém em alerta para os perigos. No entanto, a vida atual gera um excesso de cortisol que pode causar transtornos como estresse, ansiedade, depressão.

ÓLEOS ESSENCIAIS

Os óleos essenciais carregam os fitormônios do reino vegetal. Os fitormônios servem como complemento dos hormônios humanos em todas as funções biológicas (metabolismo, homeostase), as funções psicológicas da consciência (pensamento, sentimento, sensação) e os estados de ânimo. 

Um exemplo da influência direta dos óleos essenciais nos hormônios é a resposta de um óleo essencial “sedativo”que aciona a serotonina (hormônio da glândula pineal) ou de um óleo essencial “estimulante”que aciona a noradrenalina (secretaria nas drenais). 

Porém não devemos reduzir a ação dos óleos essenciais de maneira tão simplista.

Termos como sedativo, tranquilizante e estimulante são amplos e vagos para descrever os efeitos dos óleos essenciais sobre os hormônios e os variados estados de ânimo que ocorrem no vasto espectro da emoção humana. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 194)

ATIVIDADE CEREBRAL

Estima-se que o cérebro humano médio contenha cerca de 100 bilhões de células neuronais, conectadas de mil formas ou mais com outros neurônios por junções comunicantes chamadas sinapses. A atividade nervosa envolve transmissões de sinais elétricos e transmissões químicas. 

As células cerebrais (neurônios) são estimuladas por neurotransmissores químicos. Através de receptores específicos nos neurônios, os neurotransmissores são recebidos, quebrados por enzimas e absorvidos. O processo todo ocorre em milésimos de segundos. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 193)

A cada segundo que você está lendo este artigo, mais de 100.000 reações químicas estão ocorrendo em seu cérebro. 

A MENTE HUMANA

A experiencia psicofisiológica não pode ser representada apenas pela psique, assim como os odores não são estímulos estritamente físicos. A olfação não pode ser avaliada somente por seus efeitos fisiológicos. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 110)

Apesar de ser capaz de detectar e distinguir odores, o vocabulário humano é limitado. Pode-se dizer que não há uma linguagem objetiva para a experiencia olfativa.

OLFATO

Estima-se que o sentido do olfato seja 10.000 vez mais apurado que nossos outros sentidos e que seja sensível a cerca de 10.000 componentes químicos. Um estimulo olfativo chega mais rápido no cérebro que um estimulo visual ou sonoro. As respostas olfativas aos aromas levam o cérebro a estimular a liberação de hormônios e neuroquimicos que afetam a fisiologia do corpo e o comportamento humano. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 29) 

A olfação é em grande medida automática. O nariz é uma porta aberta por onde os cheiros entram e são aspirados, mesmo sem percebermos. Através da inalação, consciente ou não, ocorrem efeitos psicofisiológicos provocados pelos odores. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 111)

O processo de resposta a um estimulo aromático é subjetiva e em grande medida independente de análise. O reconhecimento de um odor acontece predominantemente no hemisfério direito do cérebro e portanto é mais subjetivo e muitas vezes é difícil traduzir em uma linguagem objetiva a experiência olfativa. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 111)

INALAÇÃO DE ÓLEOS ESSENCIAIS

O olfato é um dos mais primitivos e antigos sentidos que possuímos. Ele permaneceu até muito recentemente o mais misterioso dos sentidos. 

Quando os óleos essenciais são absorvidos através da inalação, sua moléculas seguem por duas rotas principais: 

Nariz – sistema olfatório – cérebro – sistema límbico, hipocampo e sistema emocional e 

Pulmões – sistema cardiovascular – tecidos e órgãos – sistema nervoso e endócrino.

O órgão físico com o qual o olfato está identificado é o nariz. Porém o sistema olfatório é muito mais complexo e tem uma relação direta com o cérebro e os sistemas nervoso, endócrino e cardiovascular. 

Os odores são processados diretamente a partir do sistema olfatório até o sistema límbico, que é a parte do cérebro relacionada às emoções, a memória, o comportamento e determinadas atividades viscerais. Nele reside o “centro do prazer”. Os outros sentidos também chegam ao sistema límbico, mas apenas depois de passarem por outras regiões do cérebro. (PETER & DAMIAN, 2018. pg. 29)

Portanto há uma ligação direta do sistema olfatório com o cérebro, em que os sinais olfatórios são conduzidos diretamente ao encéfalo, passando pelo bulbo olfatorio e pelos nervos olfatórios. 

Por essa razão, ao inalarmos um óleo essencial, suas moléculas odorantes entram em contato com o sistema olfatório e o consequente estimulo químico produz reações imediatas no cérebro. Além disso, as moléculas dos óleos essenciais carregam componentes químicos naturais que chegam através da corrente sanguínea em todas as células do corpo.  

Essa explicação demonstra, resumidamente, o poder da inalação de óleos essenciais puros e naturais e do potencial da psicoaromaterapia na saúde e bem estar das pessoas. 

ESTUDO PUBLICADO – exemplo da relação entre hormônios e óleos essenciais

Um estudo recente realizado pelo Departamento de Neurobiologia e Comportamento (Ciências Biomédicas) da Universidade de Nagasaki (Japão), investigou o efeito da inalação de óleos essenciais no hormônio ocitocina.

A ocitocina desempenha papéis importantes, como habilidades sociais e vínculos afetivos. Esse hormônio diminui com a idade. Quinze mulheres na pós-menopausa participaram deste estudo, que investigou os efeitos de 10 óleos essenciais no hormônio ocitocina.

As voluntárias do estudo foram expostas durante 20 minutos ao aroma de 10 óleos essenciais diluídos em diferentes concentrações em propileno glicol. A concentração salvar de ocitocina foi medida antes e depois da inalação.

Os óleos essenciais de Lavanda, Néroli, Camomila Romana, Sálvia esclareia, Sândalo indiano e absoluto de Jasmim foram capazes de aumentar significativamente a concentração salivar de ocitocina no grupo de mulheres participantes. 

O estudo concluiu que a estimulação olfatória dos óleos essenciais aumentou as concentrações de ocitocina salivar, o que pode inibir a redução induzida pelo envelhecimento na massa muscular em mulheres.

Fontes consultadas:

AMHB. Os hormônios da felicidade. Associação médica homeopática brasileira. Artigo publicado em 17/04/2020. Acesso em 07/01/2020. Disponível em: https://amhb.org.br/os-hormonios-da-felicidade/

Atlas do corpo humano – vol.2 sistemas nervoso, endócrino e cardiovascular. São Paulo: ed. Abril, 2008.

Peter & Kate Damian. Aromaterapia – aroma e asiquê. O uso dos óleos essenciais para o bem estar psicológico e físico [trad. Eliana Chiocheti], Belo Horizonte: ed. Laszlo, 2018. 

Tarumi W, Shinohara K. The Effects of Essential Oil on Salivary Oxytocin Concentration in Postmenopausal Women. J Altern Complement Med. 2020 Mar;26(3):226-230. doi: 10.1089/acm.2019.0361. Epub 2020 Feb 3. PMID: 32013535. Disponível e: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32013535/

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