Aromaterapia é para todos?

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Me fiz essa pergunta e parei para pensar…

Será que a aromaterapia e o uso dos óleos essenciais são para todas as pessoas?

Encontrei duas respostas: sim e não. Parece estranho mas depois que refleti sobre o assunto, percebi que fez muito sentido.

É inegável que os óleos essenciais tem inúmeros benefícios para a saúde, seja no nível físico, no emocional ou no vibracional. Também é verdade que podemos utilizar os óleos essenciais em diferentes situações e pessoas, desde crianças até idosos, mulheres, gestantes, lactantes, bebês, homens, pessoas com questões de saúde em tratamento. Ainda podemos utilizar os óleos essenciais no ambiente, com animais e mesmo com as plantas. Então sim, a aromaterapia é para todos.

Mas por outro lado, não se pode utilizar indiscriminadamente, ou por todas as pessoas da mesma forma. E é aqui está o ponto principal. 

A aromaterapia deve ser utilizada de forma correta, respeitando as particularidades de cada caso, situação ou pessoa.

Os óleos essenciais, que são extratos altamente concentrados de diferentes partes das plantas (folhas, flores, frutos, cascas, sementes, resinas, raizes), devem ser indicados por um tempo definido, com uma aplicação própria, uma diluição certa, com uma dosagem indicada e acima de tudo, respeitando as particularidades de cada pessoa. 

Então, não! A aromaterapia não é para todos. Ao menos não da mesma forma, para todos. Isso é uma grande verdade.

A máxima de que “tudo que vem da natureza não faz mal para saúde” é outro exemplo de afirmação indevida. O correto seria dizer: tudo o que vem da natureza, quando utilizado adequadamente, não faz mal a saude. 

Robert Tisserrand que é considerado o pai da psicoaromaterpia, intitulou um de seus livros com esse nome “Aromaterapia para Todos”. Concordo plenamente com a visão do autor sobre o tema, inclusive com o título. Só faço uma ressalva para não adotar ao pé letra essa afirmação. 

Para fazer uso dos óleos essenciais de maneira correta, responsável e consequentemente obter os melhores resultados terapêuticos, é necessário avaliar bem cada situação e seguir uma indicação de um profissional qualificado.

Tenho estudado sobre os óleos essenciais, vivenciado seus efeitos e utilizado em atendimentos nos últimos 5 anos. Utilizo outras ferramentas terapêuticas integradas há mais de 17 anos.  

Infelizmente, cada vez mais encontramos de forma indiscriminada a indicação de uso dos óleos essenciais sem respeitar essas premissas importantes. Ou pior, a ênfase apenas na venda dos OEs sem o cuidado no conhecimento de seu uso seguro.

Os óleos essenciais apresentam elevadas concentrações das substancias que se encontram em baixas quantidades nas plantas. Para se obter um litro de OE, é necessário em média 1 tonelada da planta (variável de acordo com o OE). Por isso eles são tão potentes, os OEs são a “planta concentrada”. Uma gota de óleo essencial, equivale em média, a 25 saquinhos de sachê do seu chá.

E o que pode decorrer do uso indevido?

Desde reações adversas como alergias, irritações, dores de cabeça, de estômago, intoxicação e até queimaduras. Para usar adequadamente os óleos essenciais precisamos ter presente, no mínimo:

  • A dose, quantidade e diluição do óleo essencial;
  • A frequência de utilização;
  • O conhecimento da composição química do OE para a questão a ser tratada;
  • A forma de utilização e aplicação (inalação, bandagem, banhos, massagens, etc.)
Toxicidade dos OEs

Dados relativos à toxicidade de cada óleo essencial e, em particular, de cada um de seus componentes químicos, estão disponíveis nas fichas de dados técnicos de segurança e pode-se obtê-lo por meio do número CAS (Chemical Abstract Service). 

Trago nesse artigo, uma referência de trabalho sobre toxicidade que resume alguns sintomas de intoxicação por óleos essenciais (WOLFFENBUTTEL, 2016):

INTOXICAÇÃO LEVE

Pode ocorrer devido aos componentes químicos presentes nos óleos essenciais e manifestar os seguintes sintomas principais: irritação da pele, alergia, manchas na pele, cefaléia, náusea, mal estar. 

Em caso de intoxicação leve, alguns procedimentos a executar seriam: parar de utilizar o OE por um período de dias ou semanas, no mínimo. Quando retornar ao uso, usar em diluição maior, em intervalos de tempo maior e em doses menores.

INTOXICAÇÃO AGUDA

Casos graves, apesar de não tão comuns, são registrados nos prontos-socorros. Geralmente devem-se a acidentes, ingestão por via oral de quantidades elevadas ou forma imprópria, de aplicações inadequadas ou uso em frequência superior ao limite indicado. Entre os sintomas de intoxicação de nível agudo estão: hipotermia, hipotensão, dificuldade respiratória, perda dos sentidos e queimaduras. 

Com relação aos procedimentos a executar, estão: imediata retirada das roupas e remoção do paciente do ambiente em que se encontra o óleo essencial, administração de medicação visando a eliminação renal, lavagem estomacal (em casos de ingestão oral) ou tratamento localizado (em casos de queimadura).

A autora acima citada, na obra Base da Química dos Óleos Essenciais e Aromaterapia – Abordagem Técnica e Científica, aborda de forma criteriosa o tema toxicidade. No capítulo 6 ela discorre sobre o assunto e dá exemplos. 

Três organizações mantém dados atualizados em relação ao tema toxicidade:

1. Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Essenciais, Produtos Químicos Aromáticos, Fragrâncias, Aromas e Afins (ABIFRA) – mantém listagem de substâncias, fichas de toxicidade e nomes dos óleos essenciais que as contém e em que percentuais, além de informações sobre as restrições ou proibições no uso.

2. A IFRA (International Fragrance Association) é uma organização internacional, cujas informações servem de base para a ABIFRA. 

3. A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é a agência regulamentado nacional onde também é possível obter normas, resoluções, regulamentos e notícias sobre os óleos essenciais.

Os órgãos reguladores apresentam restrições e até mesmo proibição de certos componentes que podem estar presentes em óleos essenciais devido a sua toxicidade. Há restrições para utilização como ingrediente de fragrâncias, seja em produtos de consumo, perfumes, produtos de higiene pessoal, cosméticos ou produtos de limpeza. Relaciono abaixo alguns exemplos de constituintes químicos presentes em alguns OEs e que podem atuar toxicamente, segundo a IFRA e a ABIFRA:

Componente químico

Classe química

Restrição e cuidado no uso

Exemplos de OEs que podem conter o componente

Bergapteno

Furanocumarina

Substancia fototoxica (exposição a raios solares após aplicação)

Angélica (Angelica archangelica), Arruda (Ruta graveolens), Bergamota (Citrus bergamia), Cominho (Cuminum cyminum), Laranja Amarga (Citrus aurantium amara), Limão (citrus aurantifolia), Mandarina (citrus reticulata), Tangerina (citrus nobilis).

Cânfora

Cetona

Substância neurológica e convulsivante. Não são indicadas aplicações de aromaterapia em grávidas, pessoas com histórico em epilepsia, asma, crianças, pessoas que estejam fazendo uso de medicação homeopática.

Alecrim QT1 (Rosmarinus Officinalis)

Citral (isômeros geral e geranial)

Aldeído

Podem causar alergia e irritação cutânea.

Bergamota (citrus uranium bergamia), Cardamomo (elletaria cardamomum) , Citronela (cymbopogon nardus), Gerânio (pelargonium graveolens), Litsea Cubeba, Gengibre (zingiber officinalis).

Eugenol

Fenol

Sensibilizante dérmico, podendo causar alergia e irritação cutânea.

Canela, Cravo, Murta, Manjericão, Orégano, Louro, Ylang Ylang.

Tujona

Cetona

Ações tóxicas e neurológicas, efeitos psicotomiméticos, alucinogênico, epileptizante e convulsivo.

Artemísia (artemisia absinthium), Sálvia (salvia officinalis)

De tudo que eu já aprendi com outros profissionais aromaterapeutas, médicos e pesquisadores sobre o assunto e na prática do meu trabalho em psicoaromaterpia, em atendimentos individuais ou vivencias em grupos, tenho seguido esses cuidados que considero fundamentais. Dessa forma acredito que sim, podemos levar os óleos essenciais e a aromaterapia para todos!

Referencias utilizadas no artigo:

TISSERAND, Robert. Aromaterapia para todos. trad. Maria Aparecida das Neves, Belo Horizonte: ed. Laszlo, 2017.. 257p.

WOLFFENBUTTEL, Adriana Nunes. Base da qumica dos óleos essenciais e Aromaterapia: abordagem técnica e científica. Belo Horizonte: ed. Lazslo, 2016

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